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Reforma do Ensino Médio prejudica o acesso ao ensino e o futuro do Brasil

Peterson Prates | 05/04/2018 - 15:01
                                                                                                                                              FOTO:  Marcelo Andrade – Gazeta do Povo

A reforma do Ensino Médio, aprovada em 2017, pelo desgoverno de Michel Temer (MDB), cria um grave obstáculo no acesso ao direito à educação no País. Dentre as medidas propostas, pretende permitir que até 40% do Ensino Médio seja realizado por meio de Educação à Distância (EAD) e que 100% da Educação de Jovens e Adultos (EJA) seja realizada nessa modalidade de ensino, ou seja, inteiramente fora da escola.

Tais medidas, além de autoritárias, pois não levaram em consideração a participação ampla da sociedade, tampouco de especialistas no tema, estão alinhadas com o pacote de privatizações que atinge em cheio a educação pública. A modalidade de educação a distância colocará os grupos privados no controle tecnológico e de plataformas da última fase da educação básica, abrindo caminho para as privatizações.

Trata-se de um projeto alinhado com a PEC do teto de gastos que congela por 20 anos investimentos nas áreas sociais, entre elas, a educação. Por trás do discurso da eficiência e da redução de gastos, o governo busca se eximir da responsabilidade de garantia dos direitos sociais, transferindo para o setor privado as políticas sociais.

O resultado dessa reforma amplia as desigualdades educacionais na medida em que transfere para setores privados os desenhos curriculares da EAD de modo padronizados, limitando o acompanhamento presencial e os estímulos diversificados para estudar dentro da escola.

No caso da Educação de Jovens e Adultos a gravidade da reforma é ainda pior, pois os destinatários da EJA são justamente aqueles que abandonaram a escola ou sequer tiveram acesso a ela. São portanto, os que mais precisam de estímulos e atividades diferenciais para vencer as barreiras na aprendizagem, pois não basta sentar diante de um computador para estudar.

Isso só funcionaria para um pequeno grupo, provavelmente, para os mais jovens com alguma habilidade de uso das novas tecnologias e os que já possuem algum nível de escolarização, o que irá gerar exclusão de grande parte dos mais de 1,5 milhão de alunos e alunas da EJA. Propor um único modelo de oferta de ensino nesses moldes é criminoso na medida em que tira as responsabilidades do Estado pelo acesso ao direito à educação, deixando recair, exclusivamente, nas costas de alunas e alunos o sucesso ou fracasso nos resultados de sua aprendizagem.

Precisamos de políticas educacionais inclusivas, com desenhos curriculares adequados e diversificados que busquem enfrentar os problemas de aprendizagem que afetam os mais de 65 milhões de jovens e adultos que sequer concluíram o Ensino Fundamental. Estamos falando, portanto, de políticas destinadas à metade na população jovem e adulta que enfrenta obstáculos no acesso ao direito à educação.

Devemos lutar contra o sucateamento da política de Educação de Jovens e Adultos e em defesa de modelos mais inclusivos e diversificados no sentido da ampliação da educação pública de qualidade para todos e todas.

 

Para saber mais, leia também:

 

Folha de São Paulo: Governo Temer quer liberar até 40% do ensino médio a distância
https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2018/03/governo-temer-quer-liberar-ate-40-do-ensino-medio-a-distancia.shtml

Carta Capital: Educação de adultos a distância só vai gerar exclusão

https://www.cartacapital.com.br/educacao/Educacao-de-adultos-a-distancia-so-vai-gerar-exclusao

Carta Educação: Com educação a distância, Temer quer privatizar ensino médio

http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/com-educacao-a-distancia-temer-quer-privatizar-ensino-medio/

Brasil de Fato: Ensino médio à distância é “tentativa de privatizar educação”, diz pesquisadora

https://www.brasildefato.com.br/2018/03/23/ensino-medio-a-distancia-e-tentativa-de-privatizar-educacao-diz-pesquisadora/

 


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