Comunicação - Opinião

Nova BNCC promoverá apartheid educacional

Comunicação - Mandato Toninho Vespoli | 01/08/2018 - 14:24
Dia D do Ensino Médio acontecerá amanhã (2/8)

Dia 2/8 é o chamado “Dia D” da Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio (BNCC). A data foi marcada pelo Ministério da Educação, apenas uma semana depois do texto ser anunciado. Mais de 28 mil escolas públicas e particulares e 509 mil professores foram convocados a debater a proposta.

O governo tenta colocar goela abaixo os pontos da base sem realizar as mudanças estruturais que ela realmente precisa. Dessa vez, o autoritarismo do governo vem disfarçado de consulta pública sobre o documento de mais de 150 páginas, supostamente envolvendo 28 mil escolas do Brasil nessa discussão. Detalhe: em um único dia. Além de uma farsa, essa discussão é impraticável.

O governo não quer conversar com a comunidade escolar sobre educação pública. Quer, na realidade, transformar os problemas da educação em oportunidade de negócios para os patrocinadores da BNCC (instituições privadas de ensino, fundações educacionais, empresários do ramo dos livros didáticos, bancos).

A implementação da BNCC, além do engessamento do currículo e favorecimento da implementação de uma Reforma do Ensino Médio excludente e autoritária resultará em  demissões em massa de professores e professoras.

A base reduzirá drasticamente o número de professores, uma vez que prevê a obrigatoriedade de apenas duas disciplinas (Português e Matemática). Contudo, os docentes dessas disciplinas também serão afetados uma vez que 40% da carga horária do Ensino Médio poderá ser ofertada à distância.

Com o congelamento por 20 anos de gastos públicos com educação (PEC do fim do mundo), raras escolas poderão oferecer os cinco “percursos formativos” sugeridos pela Reforma e pela BNCC. O projeto vende a ilusão de que jovens poderão escolher tais percursos. Vale lembrar que 60% dos municípios brasileiros não têm sequer uma única escola de ensino médio. Em uma cidades mais ricas do país, São Paulo, por exemplo, carecem de professores de Física ou Química na rede pública. Assim, em locais com menos recursos orçamentários certas áreas do conhecimento serão impossíveis de serem ofertadas.

A BNCC somada à Reforma do Ensino Médio não promoverá a igualdade de oportunidades educacionais.  Ao contrário, veremos uma reprodução de desigualdades se movimentando em direção à criação de um verdadeiro apartheid socioeducacional. O futuro da escola pública depende da revogação imediata da BNCC e da Reforma do Ensino Médio.

Informações de como funcionará o Dia D: http://www.consed.org.br/consed/diadensinomedio

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