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Mães da Sé denuncia falta de interesse do governo em buscar desaparecidos

Comunicação - Mandato Toninho Vespoli | 02/07/2015 - 15:29
Ivanise Santos, criadora da ONG Mães da Sé, disse que poder público não interesse no problema. Vereador Toninho Vespoli fez projeto de lei para atender familiares das vítimas.
Vereador Toninho Vespoli e Ivanise Santos, criadora da ONG Mães da Sé, cuja filha está desaparecida desde 1995.

Quem passa aos domingos de manhã pela Praça da Sé, em São Paulo, não pode deixar de notar um grupo de pessoas, na sua maioria mulheres, segurando cartazes com rostos de crianças e adultos estampados, muitos acompanhados dos nomes, idades e data em que desapareceram. Há dezenove anos, familiares desesperados se unem nas escadarias da catedral na esperança de conseguirem alguma pista sobre o paradeiro dos seus entes sumidos, alguns há mais de uma década.  Juntos essas mulheres e homens dão corpo ao movimento Mães da Sé, criado por Ivanise Esperidião da Silva Santos, cuja filha sumiu quando tinha 13 anos, em dezembro de 1995. “Ela desapareceu a 120 metros de distância da nossa casa, quando voltava da casa de uma colega da escola. E durante o tempo em que vivi a minha busca sozinha, cheguei à beira da loucura”, contou ela.

Após três meses, Ivanise informou o desaparecimento da filha no Centro Brasileiro em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, no Rio de Janeiro. Algumas semanas depois, foi convidada a participar da novela Explode Coração, da TV Globo, que abordava a situação de pessoas que tinham filhos desaparecidos. Lá, ela conheceu as Mães da Cinelândia, um grupo de mulheres que se uniu em torno do mesmo problema: filhos e netos desaparecidos. “Decidi fazer o mesmo em São Paulo e logo apareceram muitas pessoas na mesma situação que eu”, disse. Segundo ela, o movimento se tornou uma ONG e tem mais de 10 mil pessoas desaparecidas cadastradas, sendo que 4233 foram encontradas com vida e 225 mortas. Essas últimas eram meninas e adolescentes, vítimas de violência sexual, e meninos assassinados.

IMG_8307De acordo com Ivanise, existem vários tipos de pessoas desaparecidas, como aquelas que possuem alguma deficiência mental, crianças que fogem de casa, as que são raptadas por parentes próximos e aquelas que simplesmente desaparecem. “As crianças e adolescentes que somem sem qualquer razão dificilmente são encontradas, em geral são vítimas de tráfico de órgãos, tráfico de seres humanos, adoção ilegal, exploração sexual, tráfico de drogas, entre outros fins trágicos”, lamentou ela.

Ivanise criticou a falta de políticas públicas para auxiliar na busca de pessoas desaparecidas. “O que o Estado faz é apenas um boletim de ocorrência sobre o sumiço, não há nenhuma rede de informação que ajude e é o próprio parente da vítima que tem sair procurando informações”, contou. Para ela, seria necessário que os municípios, estados e a união investissem numa rede interligadas de informações, que relacionasse o nome das pessoas desaparecidas com aquelas que estão no Instituto Médico Legal (IML), albergues, hospitais, entre outras instituições públicas. Também falta maior investimento em formas de se divulgar imagens das pessoas desaparecidas. “É importante dizer que quem tem um parente desaparecido não perde apenas a pessoa, perde também saúde e a estabilidade da vida, já que larga tudo, inclusive o emprego, para se dedicar à busca ou para se entregar à depressão e à tristeza”, afirmou ela.

O Mães da Sé tem como missão colaborar na elucidação de casos de desaparecimento de pessoas e fiscalizar e apoiar a atuação das autoridades governamentais. Contatos com o Mães da Sé podem ser feitos por meio do endereço eletrônico www.maesdase.org.br, pelo telefone (0xx11) 3337-3331 ou no endereço Rua São Bento, 370 – 9º andar, conjunto 91, sala 02, no centro de São Paulo.

 

Projeto de lei Define diretrizes para políticas de atendimento às famílias de pessoas desaparecidas

IMG_8311Ciente das dificuldades relatadas por Ivanise, no ano passado o vereador Toninho Vespoli (PSOL) apresentou o projeto de lei (PL) 517/2014 que define diretrizes para políticas de atendimento às famílias de pessoas desaparecidas ou que tenham falecido e não foram identificadas pela família – o que muitas vezes resulta em um enterro no completo esquecimento. O projeto estimula ações integradas entre os serviços públicos de atendimento à população que são destinados a procurar pessoas desaparecidas que são reclamadas pelas famílias a outros serviços e instituições, como o Instituto Médico Legal e o Serviço Funerário, por exemplo. Confira aqui o projeto na íntegra.

 

 

 

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