A destruição ambiental em SP não é um acidente, é um projeto. Hoje eu preciso falar com urgência, porque a cidade deixa claro qual modelo está sendo colocado em prática: um modelo de exclusão e desmonte, embora pareça progresso no discurso oficial.

A derrubada de 400 árvores no Butantã expõe o projeto real da gestão
Enquanto a COP acontece e a cidade tenta se vender como referência ambiental, a Prefeitura promove, de forma coordenada, um ataque ao nosso patrimônio verde. A autorização para derrubar quatrocentas árvores no Butantã, na Rua Dr. Guilherme Dumont Vilares, é prova disso. A decisão ocorreu sem diálogo com o território, sem transparência e ignorando completamente a crise climática.
Ao mesmo tempo, a imprensa divulga imagens do prefeito Ricardo Nunes plantando árvores como se isso comprovasse compromisso ambiental. No entanto, esse gesto simbólico contrasta com a prática concreta — prática que reforça a destruição ambiental em SP.
As restrições na Marquise do Ibirapuera excluem quem usa o espaço
A mesma lógica aparece na tentativa de restringir o uso da Marquise do Ibirapuera. A Prefeitura quer reabri-la no aniversário da cidade. Porém, o novo regulamento que a URBIA tenta impor proíbe skate, patins, bicicletas, brincadeiras com bola e até piqueniques. Em outras palavras, quase todas as atividades que deram vida ao espaço por décadas.
A Marquise sempre foi um ambiente democrático, construído pelo uso da própria população. Agora, querem convertê-la em um corredor comercial esvaziado de esporte, cultura urbana e convivência — exatamente como já ocorre com o Parque Ibirapuera, cada vez mais parecido com um shopping.
A mesma lógica: reduzir verde, restringir lazer e favorecer interesses privados
A derrubada das árvores no Butantã e o conjunto de restrições na Marquise fazem parte de um único projeto: enfraquecer o espaço público, eliminar áreas verdes, limitar o lazer e abrir caminho para interesses privados. Embora o discurso fale em sustentabilidade, a prática mostra o oposto.
Enquanto posa plantando mudas, o governo municipal autoriza desmatamento urbano e desmonta um dos maiores polos de esporte popular da cidade. Essa contradição revela como a destruição ambiental em São Paulo é acompanhada da destruição da convivência urbana.
Defender o Butantã e a Marquise é defender a cidade pública
Por isso, defender o Butantã e defender a Marquise é lutar pelo mesmo princípio: o direito de existir em uma cidade com verde, com lazer, com saúde e com espaços verdadeiramente públicos.




